Exposição Kubrick: uma aula sobre o “fazer”

Ao visitar a exposição de Stanley Kubrick no Museu da Imagem e do Som de São Paulo (MIS-SP), além de tudo o que foi exposto pela crítica, mostrando a grandeza e a genialidade do diretor, fica o aprendizado da importância de se colocar planos em prática. Em meio ao figurino do Alex (Laranja Mecânica, 1971), as máscaras do “De olhos bem fechados” (1999) e o boneco do bebê que encerra “2001: uma odisseia no espaço” (1968), estavam roteiros, fatos e imagens que revelam um homem que atuou ativamente naquilo que acreditava, mesmo nos projetos em que não obteve êxito. Kubrick, como qualquer pessoa, provavelmente não conseguiu fazer tudo o que queria, mas fez muito por não ter ficado de braços cruzados.

Era crítico consigo, como pode ser observado em um roteiro exposto no museu. No papel, amarelado pelo tempo, ele questiona a qualidade do próprio texto.

Abaixo, duas situações compiladas da exposição, que relatam projetos em que o diretor não pode receber os benefícios do esforço empregado.

NAPOLEÃO

Napoleão Bonaparte (1769-1821) exercia enorme fascínio sobre Stanley Kubrick, que estudou a vida e a época desta figura história durante décadas. Em 1969, depois de longa preparação, Kubrick termina um roteiro sobre o imperador francês. Os acontecimentos mais importantes da vida de Napoleão são retratados cronologicamente, com comentários eventuais de um narrador. O projeto monumental fracassou em 1969 em função de problemas técnicos, financeiros e organizacionais. Nenhum estúdio está disposto a assumir os altos custos de produção. O plano de Kubrick de filmar as cenas internas apenas à luz de velas também não pode ser executado. A tecnologia para tanto só se torna disponível na época de Barry Lyndon.

A.I. – INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL (2001)

Em 1980, Stanley Kubrick adquire os direitos para o conto Superbrinquedos duram o verão todo (1969), de Brian W. Aldiss. Ele adia a produção porque deseja esperar até que os efeitos especiais projetados se tornem viáveis do ponto de vista técnico. Até 1995, diversos roteiros são escritos, e centenas de esboços e storyboards são desenhados. Em 1999, durante as filmagens de De olhos bem fechados, Kubrick oferece a Steven Spielberg o trabalho de diretor no projeto A.I. O próprio Kubrick que ser o produtor. Depois da morte repentina de Kubrick, Spielberg finaliza o roteiro e faz o filme com base no extenso trabalho de preparação.

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